Os vilões da inflação em 2010

Os vilões da inflação em 2010

Além dos alimentos, gastos com depilação, jóias, estacionamento,  médicos, entre outros serviços, pesaram no bolso

 

O ano não acabou mas já é possível fazer um balanço dos vilões da inflação em 2010 – com respaldo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Gastos com alimentação e bebidas (8,95%), serviços pessoais (8,49%), vestuário (6,09%), calçados e acessórios (7,25%) e educação (6,16%) ficaram acima da inflação de janeiro a novembro. O IBGE divulgou nesta quarta-feira que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 5,25% de alta neste período.

 

“Praticamente o ano está formado. Não acontecendo nada de extravagante, podemos dizer que o perfil da inflação já está traçado”, afirma ao iG a coordenadora de Índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

A pesquisadora avalia que 2010 será um ano lembrado pela reposição de preços. Médicos, costureiras, manicures, prestadores de serviços em geral aproveitaram o ano aquecido, de recuperação econômica, para ganhar ou recuperar margens deprimidas pela crise internacional.

 

Mulheres que o digam

 

No caso das mulheres, fazer depilação ficou 15,13% mais caro neste ano, quase tanto quanto se agasalhar (13,7%). E o luxo de comprar jóias encareceu 18,49% – bem mais que as bijuterias (7,4%). Pagar a costureira (10,78%) e a empregada doméstica (11,02%) também pesaram mais no orçamento familiar neste ano. 

“Alguns serviços têm aumentado porque estão relacionados ao salário mínimo e há um repasse dessa mão-de-obra para o consumidor, num momento que a demanda aquecida permite fazer ajustes”, acrescenta Eulina. Fazer mudança encareceu 10,9% e foi um dos itens maiores na inflação do grupo habitação.

 

Mais carros, vaga mais cara

 

Os gastos com recreação (4,91%) ficaram abaixo da inflação, mas dependendo do diversão escolhida, a conta pode ser salgada. Aluguel de DVD (7,23%), ingressos de jogos (30,36%), cinema (7,15%), clube (8%). Ir ao motel, por sua vez, ficou 11,87% mais caro em 2010. No grupo de educação, os reajustes mais expressivos se revelam em natação (13,31%), pagamento de supletivo (9,19%) e escola de ensino fundamental (8%).

 

O aumento da frota de carros, com sucessivos recordes de vendas, pressionou o preço dos estacionamentos (11,16%). Os preços das passagens de ônibus, contudo, também cresceram além da inflação, com alta de 7,47%.

 

Sem bife

 

A alta de preços dos alimentos não é novidade, mas alguns reajustes assustam até a pesquisadora. “Não podemos mais comer filé mignon”, brinca Eulina. O corte bovino ficou 44,83% mais caro em 2010. Outros tipos de carne também encareceram, mas nem tanto: contra-filé (26%), alcatra (28,37%), patinho (31,11%).

 

“Além da influência do clima, a demanda do mundo por carne pressiona os preços”, avalia a coordenadora de Índices de Preços do IBGE. Ela lembra que o período de estiagem que afetou o pasto na região Centro-Oeste forçou produtores a comprar mais ração para o gado, encarecendo o custo de produção da carne.

 

Os preços da carne de porco e do peixe cresceram menos, 15,45% e 10,43% neste ano.

 

Temperar a comida também ficou mais salgado: alho (41,39%), coentro (35,49%) e cheiro verde (15,06%).

 

O feijão carioca, o tipo mais consumido no País, é o maior vilão da inflação dos alimentos, com alta de 95,85% no ano. A alta no preço do produto (o feijão preto ficou 32,64% mais caro) reflete tanto as alterações climáticas que atrapalharam a oferta do produto quanto o aumento na remuneração de produtores, que buscaram aumentar o valor de seus produtos. No primeiro semestre, a chuva atrapalhou a colheita.

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