Comentário feito na transmissão da globo gera discussão na internet

Um comentário equivocado feito pelo narrador da globo Luiz Roberto deixou o Cruziliense chateados. Luiz Roberto disse que a origem do cavalo mangalarga machador foi em Alfenas, mas na verdade foi em Cruzilia, também no Sul de Minas.

 

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Por falar em Desfile, a transmissão da Globo estava péssima!

Saudades das transmissões da Manchete! Onde você conseguia ver todas as alas, sem comentários chatos e muito menos ouvir e ver quem não sabe nada de Escola de Samba (desculpem Eri Johnson e Fernanda Abreu, mas só sabem puxar o saco, e mal sabem desfilar para as Escolas de coração de vcs).

A Globo está puxando sardinha para a Beija-flor, que fez uma sacanagem absurda com o enredo!

Neguinho ter ganho estandarte de ouro como melhor intérprete??????????? Não deu nem pra ouvir a voz dele no desfile.

O pior foi dizer que o cavalo Mangalarga Marchador é de Alfenas! Uma coisa é ser o Barão de Alfenas ter criado a raça, outra é o lugar onde foi criado! E não foi na cidade de Alfenas e sim na cidade de Cruzília (MG).

Mangueira veio com um acabamento impecável, porém 2 baterias?

Aqui em casa o coração não acelerou não!

E a marra de Ivo Meirelles por terem passado 6 minutos a mais do tempo regulamentar??????????

Salgueiro impecável! Lindo demais!

Portela veio bonita!

Vila Isabel lindíssima também.

Agora Unidos da Tijuca… Fiasco total! Paulo Barros tem que vestir a sandália da humildade…

 A Aurora da História

O Marchador, antes de se transformar em Mangalarga, era um desbravador dos sertões. E assim foi desde o início da sua história, que começou no ciclo do ouro, do sangue e das lutas armadas pela posse das riquezas escondidas no solo de Minas Gerais.

Na guerra das Emboabas, quando paulistas e portugueses cruzaram armas pelo domínio das minas no interior, um bom cavalo Marchador valia uma libra de ouro apurado – paga pelo conforto do seu andamento, velocidade do seu galope e confiança no seu brio.

Depois do barulho da guerra, a terra disputada começou a devolver, com riquezas outras, a quem nela trabalhasse, sem que lhe adubasse com sangue. Com a força do café, arroz, milho, feijão, cana-de-açúcar, bovinos e eqüinos, Minas começou a crescer.

O cavalo Marchador tornou-se ainda mais indispensável na abertura dessas terras montanhosas, sem estradas, pontes, ferrovias – e sem, ao menos, um rio navegável para ligar a nova província ao litoral. O Marchador era o companheiro inseparável do fazendeiro no seu trabalho no campo e nas suas viagens pelo interior – principalmente quando tinha negócios a tratar no mercado da comarca, em Ouro Preto, no porto, ou na corte do Príncipe Regente, na cidade do Rio de Janeiro. Nesta época, o raiar do século XIX, começou-se no Sul de Minas, a selecioná-lo como raça.

Em casa, na fazenda, o Marchador era o cavalo predileto, pela segurança do seu andamento, para a lida do gado, nos pastos altos das serras que caracterizam Minas Gerais. Nos dias Santos, com sela, cabeçada e rédeas de níquel ou prata, era o cavalo escolhido para acompanhar a procissão em homenagem à padroeira da cidade.

Aos domingos, a parentada e os amigos reuniam-se cedo no terreiro, com Mangalarga Marchador e farejador paulista, para mais uma caçada ao veado campeiro, esporte preferido por essa gente das geraes. Achado o rastro, avistada a caça, começava o tropel pelas chapadas, cruzando encostas das grotas, cortando cristas das serras, pelas veredas dos vales, através dos capões das matas; saltando pau, pedra e riacho. Mangalarga Marchador e veado campeiro – num duelo de agilidade, velocidade e resistência animal.

Vencida a caça voltavam, os cavaleiros, de rédeas frouxas e marchas suaves, os longos quilômetros percorridos a galope.

Mal sabiam eles, cavalos e cavaleiros perdidos no longínquo sertão mineiro, a revolução que iria causar um dia estes andamentos marchados.

 

Breve História do Cavalo Mangalarga Marchador

Os primeiros matungos a chegarem em terras do Sul de Minas não eram, certamente, marchadores. Quando a região foi desbravada para a agricultura e a pecuária, no século 18, depois da dramática fase da mineração, o homem das Geraes não estava à procura de um cavalo cômodo de sela. Passado o ‘polígono do ouro e do sangue’ o faiscador, cansado de esperar pelo acaso, guardou a bateia e entregou-se ao cultivo da terra. E precisava, para esta nova empreitada, de um companheiro de trabalho dócil, forte e disposto a carregar o fardo da abertura de um ‘novo mundo’ para a lavoura e o pasto.

Foi se acumulando na região uma cavalhada rústica de serviço -, os machos utilizados para o trabalho e as fêmeas para produzirem burros. Inevitavelmente, em razão da sua origem ibérica, havia entre eles, como numa bateia de cascalho aurífero, alguns granetes de ouro – um ou outro animal marchador.

E a Capitania das Minas Gerais, fechada nas suas montanhas, foi prosperando. Como produtor agropecuário tornou-se, com o tempo, um dos sustentáculos da economia rural brasileira.

Mas, apesar da sua crescente opulência, o povo sul mineiro era isolado -, sem vias naturais de acesso. Não havia rio navegável para servir de ligação entre o interior e as cidades do litoral. Nenhuma ferrovia que o ligasse à capital, Ouro Preto, ou à sede do governo Imperial, o Rio de Janeiro. As companhias inglesas ainda não estavam dispostas a financiar uma ferrovia de dimensões faraônicas, capaz de superar os obstáculos impostos pela majestosa Serra da Mantiqueira, englobando uma região maior do que própria Inglaterra. O único meio de transporte viável, capaz de vencer as precárias estradas das serras, surradas pelas chuvas e desfiguradas pelos deslizamentos, era a tropa de burros e cavalos.

É neste contexto histórico que podemos começar a vislumbrar a preferência dos habitantes estas terras por um cavalo forte, ágil… e marchador.

Imagine o sucesso de um bom cavalo de marcha para o ‘novo’ homem das Geraes que, agora fazendeiro abastado, dependia exclusivamente do cavalo para se locomover dentro e fora da região serrana. Ora para fiscalizar as suas extensas lavouras, ora para ‘agir’ os seus negócios na sede da comarca, freqüentemente para resolver problemas forenses na capital da Província, Ouro Preto, e eventualmente saldar compromissos na capital do Império, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Só dispondo de um meio de transporte – o lombo do burro ou do cavalo – não é difícil se imaginar o fazendeiro rico a pagar uma ‘fortuna’ por um bom cavalo marchador.

‘A preocupação era conseguir cavalos bons de sela, cômodos, mas ligeiros, cavalos prontos. Nessa época, José Frausino adquiriu um potro, chamado Fortuna, em alusão ao alto preço pago por ele. Há versões que nos contam que o preço pago pelo cavalo teria sido de 150$000. Outros informam que havia uma troca por 40 novilhas’. (R. Bortoni). Ao preço de 10 mil dólares, em 1828, não é por mero ‘acaso’ o primeiro marchador a ser mencionado na História da raça chamar-se ‘Fortuna’.

O Mangalarga Marchador, surgiu no Sul de Minas, como uma necessidade do patrão. Formou-se, como raça, pela mão dos patriarcas de uma sociedade essencialmente eqüestre – um dado histórico importante, para a compreensão do sucesso deste cavalo – que se tornou a primeira raça brasileira verdadeiramente nacional.

 

Alfenas, o Barão

Desde o início do século 18 existem notícias esporádicas de cavalos marchadores em Minas Gerais. Mas a história da raça Mangalarga Marchador só começa a ganhar nomes, datas, e endereços, no final daquele século.

O primeiro nome a aparecer na História é o de Gabriel Francisco Junqueira; a primeira data – a de seu nascimento em 1782 – e o primeiro endereço é o da Fazenda Campo Alegre, município de Encruzilhada, hoje Cruzília, no Sul de Minas, onde Gabriel nasceu.

Gabriel Francisco Junqueira (1782-1868) é filho de João Francisco Junqueira que, vindo de Portugal, se instala como fazendeiro na região da Comarca do Rio das Mortes. Em 1769, por concessão do Governador da Capitania de Minas, João Francisco recebe carta de sesmaria da Fazenda Campo Alegre – fazenda que, pelas mãos do seu filho Gabriel, será o centro de formação do Mangalarga Marchador.

A vida de Gabriel foi dedicada à fazenda, à política e ao Mangalarga Marchador. Na política, Gabriel foi Comendador, Deputado por Minas Gerais, e liderou em 1842, com sessenta anos de idade, uma rebelião de liberais para ‘livrar o regime (monarquista) da coação da oligarquia conservadora, a qual atraiçoava, em seu interesse, o País e o trono’ (mais ou menos o discurso do Lula cento e cinqüenta anos depois). Na província de Minas, o movimento conquistou adeptos que acabaram formando a coluna ‘Junqueira’, com a participação de mais de mil homens, entre eles, grandes fazendeiros e comerciantes. ‘Apesar das vitórias obtidas, o avanço do movimento é comprometido pelos erros e vacilações dos liberais (da turma do deixa-disso). Num processo inconseqüente de marchas e contramarchas, os insurgentes terminam por ver desgastadas seus recursos, cedendo, por fim, à reação governista.’ Ou seja, a coluna ‘Junqueira’ se rende na Vila de Baependí, é desbaratada e seus líderes presos. Mas Gabriel, numa demonstração de grande habilidade política, dote natural de seus conterrâneos mineiros, é anistiado e agraciado com o título de ‘Barão de Alfenas, ’ em 1866, seis anos depois. (Em política, como dizia Lorde Palmerston, não se tem amigos nem inimigos permanentes, só objetivos políticos permanentes – ponto para Gabriel).

Como criador de cavalos, o Barão de Alfenas se utiliza grandemente dos reprodutores cedidos pela Coudelaria Cachoeira do Campo – é natural que o seu prestígio político junto à corte (apesar do imbróglio de Baependí, que teve um final feliz) lhe desse acesso ao que de melhor havia no centro de melhoramento eqüino de Cachoeira do Campo.

Por isso o cavalo mais importante da Fazenda Campo Alegre não tem nome certo – é Sublime, talvez – e não era Mangalarga Marchador – era um reprodutor Alter Real, proveniente da Coudelaria Alter do Chão, do Alentejo, Portugal; é o cavalo que o Barão de Alfenas recebeu, segundo a tradição, das mãos do Imperador, Dom Pedro II. E com este reprodutor depurou o seu criatório de cavalos Marchadores.

A realidade mais provável deste fato é a de que o Barão de Alfenas – utilizou-se dos reprodutores da Coudelaria Cachoeira do Campo, como comprova um ofício com a sua assinatura, de 1861 – em que declara estar devolvendo um reprodutor à Coudelaria e mais alguns produtos, provavelmente, como pagamento de uso. E o povo de Encruzilhada vendo o belo garanhão Alter da Coudelaria na fazenda Campo Alegre, admira-se e comenta: “Ocês viram o cavalão que o sinhô Barão ganhô do Imperadô? Não? Então vão vê que formosura, etc e tal!” (Vox populi vox dei.). O Barão de Alfenas morreu em 1868 deixando para o Brasil a preciosa raça Mangalarga Marchador e para a sua filha Chiquinha um cavalo de estimação chamado Mangalarguinho.

Patriarcas e Genearcas

O ‘Barão de Alfenas’ iniciou, além de uma nova raça de cavalos, uma linhagem de criadores que vararam os tempos e, num exemplo raro de hereditariedade na história da eqüinocultura brasileira, a família chegou aos dias de hoje criando cavalos. Os descendentes do Barão de Alfenas, e outros criadores, conseguiram, a despeito da desorganização havida na eqüinocultura, com a invenção do trem, do automóvel e outras formas de transporte, conservar a genética da marcha até o renascimento da eqüinocultura brasileira, que aconteceu no início na década de 70 e chegou ao auge em meados de 80. A seguir, vamos dar uma olhada nas primeiras fazendas criadoras da raça Mangalarga Marchador, e nos seus titulares, muitos em linha direta com o ‘Barão de Alfenas’.

 

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