Movimento Sem Terra invade fazenda de acusado de trabalho escravo

Cerca de 200 famílias do Movimento dos Sem Terra (MST) invadiram a Fazenda Paraíso, em Campanha (MG), segundo informações da Polícia Militar. A fazenda é de propriedade do empresário Paulo Lima, preso no mês passado por suspeita de manter trabalhadores rurais em regime de trabalho escravo. Segundo representantes do MST, as cerca de 200 famílias que estão no local vieram do Sul de Minas e de outras regiões de Minas Gerais.

A liderança do movimento ainda aguarda a chegada de outras mil pessoas. Eles reivindicam a presença do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Trabalho no local. Ainda segundo a direção do movimento, a fazenda seria improdutiva.

Em nota no site do MST, representantes do movimento dizem que a ocupação tem o objetivo de chamar a atenção para os casos de trabalhadores em situação irregular em Minas Gerais. “Cansamos de pedir providências em Minas Gerais, em que temos cerca de 800 mil trabalhadores rurais em situação irregular, já reunimos diversas vezes com o MTE, mas infelizmente tem de haver este tipo de fato para as pessoas prestarem atenção”, diz Jorge Ferreira dos Santos Filho, da Direção Estadual da CUT/MG, e da Articulação dos Empregados Rurais (ADERE-MG).

A Polícia Militar acompanha a movimentação no local.

Dono de fazenda está preso

O fazendeiro Paulo Alves Lima, de 59 anos, suspeito de manter funcionários em regime de trabalho escravo e de ter sequestrado um lavrador, já respondeu por aliciamento de trabalhadores e estelionato. Segundo o Ministério do Trabalho, Lima recebeu várias notificações por desobediência às leis trabalhistas. O fazendeiro permanece preso no Presídio de Varginha (MG).

Em um dos processos, Lima é acusado de trazer 37 trabalhadores e 17 crianças e adolescentes da cidade de Moreira Sales (PR) para trabalhar na fazenda em Campanha (MG). Ele foi condenado a uma multa de R$ 25 mil. O fazendeiro é suspeito de ter sequestrado o lavrador Hélio José dos Santos, de 41 anos, que fez a denúncia de trabalho escravo.

A polícia teve acesso às imagens em que o lavrador aparece entrando sozinho no ônibus para Lavras (MG) e investiga o rumo que ele teria tomado. Élio continua desaparecido.

Nas imagens feitas no dia em que o lavrador desapareceu, dois homens aparecem comprando passagem em frente a um guichê da rodoviária por volta das 13h.Testemunhas que viram o fazendeiro e o lavrador saindo do hotel afirmam que eles usavam roupas idênticas as dos dois homens que aparecem na gravação. O homem mais à frente, usando calça jeans, sapatos, camisa clara e boné branco seria Paulo Alves Lima. O que aguarda um pouco atrás vestindo bermuda jeans, chinelos, camiseta clara e um boné escuro seria Hélio.

Segundo a Polícia Federal, a suposta passagem comprada para Hélio tinha Lavras (MG) como destino. Para o delegado responsável pelo caso, João Carlos Giroto, o trabalhador foi coagido a sair da cidade.

O fazendeiro está preso no Presídio de Varginha. Segundo o delegado, o suspeito nega que retirou o lavrador do hotel e que seguiu com ele para a Rodoviária de Varginha.

Outro trabalhador, que foi resgatado da fazenda em Campanha, está sob a proteção da Polícia Federal e é mantido em uma instituição cujo nome não foi divulgado. Ele passa por tratamentos psicológicos e é considerado uma importante testemunha nas investigações dos crimes que teriam sido cometidos pelo fazendeiro.

Nome falso
Até então, o lavrador desaparecido era chamado de Élio Costa Araújo. No entanto, as investigações apontaram que o trabalhador estava usando a identidade de outra pessoa que ele havia encontrado. Ainda de acordo com as investigações, o nome do lavrador desaparecido seria Hélio José dos Santos.

O caso
O fazendeiro foi preso no dia 23 de agosto em Campanha (MG) suspeito de manter funcionários em regime de trabalho escravo em uma propriedade rural do município e de ter ordenado o sequestro de um deles após uma denúncia feita à Policia Militar. Segundo a PM, Lima foi detido após cumprimento de um mandado de busca e apreensão e o resgate de dois trabalhadores.

De acordo com a PM, o funcionário Hélio José dos Santos, de 41 anos, disse ter trabalhado durante cinco meses em regime de escravidão e relatou que o fazendeiro retinha documentos pessoais dele e de outros trabalhadores.

Trabalhadores eram vigiados por homem armado
Antes do desaparecimento, o funcionário disse à polícia e ao Ministério do Trabalho que ele e outros dois trabalhadores conseguiram fugir da fazenda na madrugada do dia 19 de agosto e que pretendia voltar para a cidade natal, de Nova Serrana (MG), mas não teria conseguido por falta de dinheiro e documentos pessoais.

O lavrador contou que eles trabalhavam na colheita de café e corte de cana e que não havia descanso. Segundo ele, os trabalhadores eram forçados a trabalhar das 6h às 19h, inclusive aos domingos, feriados e dias chuvosos e que quando questionavam o pagamento de salário, eram agredidos.

Santos disse aos policiais que eles eram mantidos sob vigilância constante de um homem armado que não permitia que saíssem na fazenda. Ele também contou que os colegas eram mantidos em um alojamento em péssimas condições e comida escassa.

Testemunha viu quando fazendeiro sequestrou o lavrador
O lavrador foi levado do hotel por um homem identificado como o ex-patrão. Segundo uma das funcionárias do estabelecimento, que em entrevista à EPTV Sul de Minas não quis ser identificada, o homem pagou a conta do hotel e levou o trabalhador. “O homem que esteve com ele no hotel foi o Paulo Alves Lima. O trabalhador mesmo me disse, baixinho, antes de sair e pediu para que eu ligasse para a polícia, mas eu não chamei, tive medo”, contou a mulher.

Imagens das câmeras de segurança da Guarda Municipal de Varginha mostram quando dois carros da Polícia Militar chegaram ao Ministério do Trabalho no último dia 20, quando o homem denunciou o esquema na fazenda de Campanha (MG). No dia seguinte, as câmeras da rodoviária de Varginha registraram o lavrador caminhando ao lado de dois guardas municipais.

De acordo com funcionários da Secretaria Municipal de Habitação e Desenvolvimento Social, ele estava sendo levado, pela segunda vez, ao Ministério do Trabalho. Depois, ele foi hospedado no hotel no Centro de Varginha pelo próprio órgão e um dia depois, desapareceu.

FONTE: SITE G1 – SUL DE MINAS.

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