Mesmo pagando 3 vezes mais, Alfenas não consegue médicos

Mesmo oferecendo uma “tabela diferenciada” por consultas em algumas especialidades, a Secretaria Municipal de Alfenas não tem conseguido médicos para atender a demanda reprimida de pacientes do SUS. O problema atinge especialidades como reumatologia e proctologia, nas quais mais de 1 mil pacientes aguardam uma consulta.

Para reduzir esta demanda, a Secretaria Municipal de Saúde oferece pela consulta um valor três vezes maior do que a tabela básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas mesmo assim encontra resistência dos poucos especialistas existentes em algumas áreas.

Na reumatologia, por exemplo, o único médico especialista na cidade não atende pelo SUS, explica a secretária executiva da Secretaria de Saúde, Valéria Dias Vieira. A opção é buscar profissionais de fora, mas mesmo assim há dificuldades.

Atualmente a tabela do SUS fixa em R$ 10 o valor de uma consulta com especialista – no caso de urgência, em pronto socorro, é acrescentado mais R$ 1. A prefeitura de Alfenas adotou a “tabela diferenciada” para tentar reduzir a demanda e oferece o triplo para os médicos de especialidades nas quais verifica-se escassez de profissionais. Os recursos a mais saem do próprio município.

Na fila

Hoje, a fila por consultas em proctologia (538) e reumatologia (558) supera uma demanda de 1 mil pacientes. No caso da reumatologia a Secretaria já negocia um mutirão com “tabela diferenciada” com um profissional de outro município.

Valéria cita um outro problema: Não basta acertar somente as consultas se não houver disponibilidade para exames e cirurgias encaminhadas.

A secretária executiva explica que 80% das consultas em proctologia resultam na necessidade de cirurgia. Por isso, a Secretaria vem negociando com um cirurgião geral com especialidade em proctologia para atender os encaminhamentos dessa especialidade. Quarenta consultas já foram acertadas para outubro, mas o número ainda é baixo em relação a demanda, que supera 500 pacientes.

Outros fatores

As maiores demandas por consultas estão na oftalmologia (2.778) e na ortopedia (1.103). Nestes casos, a Secretaria de Saúde identifica se não há um excesso de encaminhamentos para essas especialidades e a necessidade de um diagnóstico mais preciso, uma vez que nos formulários não são especificados os sintomas ou qualquer outra descrição identificada na atenção básica.

 

Os formulários e referência e contra-referência passaram a ser exigidos com mais rigor. Além disso, Valéria explica que há um trabalho constante de “sensibilização” dos profissionais da atenção básica sobre a realidade da saúde pública no município. Por exemplo, tem sido solicitado aos médicos que os critérios, na escolha do tipo de exames, considerem a realidade financeira do município para que não haja extrapolamento do teto, o que prejudicaria o conjunto das ações da Secretaria.


Na avaliação da Secretaria de Saúde, este trabalho de sensibilização e melhor controle dos procedimentos pode reduzir o encaminhamento para algumas especialidades, onde há demanda reprimida, e por exames com custos maiores. Isso implicaria em um melhor aproveitamento dos recursos para a saúde pública.

Os dados da saúde foram apresentados pelo secretário de Saúde, Kleuber Rocha, na semana passada aos vereadores. A determinação do prefeito Maurílio Peloso (PDT) é zerar as demandas até o final do ano, no entanto, a secretária executiva adianta que, diante dessas particularidades no sistema de saúde, será impossível eliminar toda a demanda. Com isso, trabalha para reduzir ao máximo a fila de espera por consultas, exames e cirurgias eletivas.

FONTE: SITE ALFENAS HOJE.
 

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