TJ mantém condenações, mas reduz pena de médicos da máfia dos órgãos

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) julgou em nesta terça-feira (25), em segunda instância, os médicos condenados na máfia dos transplantes, em 2001. Os desembargadores mantiveram as condenações, mas reduziram as penas por considerá-las exageradas. O nefrologista João Alberto Goés Brandão, os urologistas Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes, e o oftalmologista Alexandre Crispino Zincone são acusados de remoção e transplantes irregulares de órgãos e tecidos de um homem que morava em Bandeira do Sul (MG).

A condenação dos quatro médicos foi determinada em janeiro do ano passado pelo juiz da Primeira Vara Criminal de Poços de Caldas (MG), Narciso Alvarenga Monteiro de Castro. A sentença diz que eles teriam realizado irregularmente o transplante e remoção de órgãos de José Domingos de Carvalho, de 38 anos, que morava em Bandeira do Sul. Brandão, Scafi e Fernandes foram condenados a 8 anos de prisão enquanto Zincone foi condenado a 11 anos. No entanto, as penas de todos eles foram reduzidas para 5 anos.

As penas em regime semiaberto só começarão a ser cumpridas depois de esgotar todos os recursos da defesa, que ainda pode recorrer. No entanto, os urologistas Cláudio Fernandes e Celso Scafi já estão presos porque também foram condenados pelo Caso Pavesi.

As investigações começaram depois do caso do menino Paulo Pavesi, de 10 anos, que caiu de uma altura de aproximadamente 10 metros do prédio onde morava, em Poços de Caldas, em abril de 2000. O processo do Caso Pavesi abriu investigação para uma série de outros casos envolvendo a “máfia dos órgãos” na região.

No caso de Bandeira do Sul, os médicos Félix Herman Gamarra Alcântara e Gérsio Zincone também foram condenados, mas por terem mais de 70 anos, a pena prescreveu.

Entenda o Caso Pavesi
As investigações do ‘Caso Pavesi’ já duram quase 14 anos. Em 2002, quatro médicos, José Luis Gomes da Silva; José Luis Bonfitto; Marco Alexandre Pacheco da Fonseca e Álvaro Ianhez; foram denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado.

Na denúncia consta que cada um cometeu atos encadeados que causaram a morte do menino. Entre eles, a admissão em hospital inadequado, a demora no atendimento neurocirúrgico, a realização de uma cirurgia feita por um profissional sem habilitação legal que resultou em erro médico e a inexistência de um tratamento efetivo e eficaz. A denúncia aponta também fraude no exame que determinou a morte encefálica do menino.

A investigação deu origem a outros sete inquéritos e a Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas perdeu o credenciamento para realizar os transplantes em 2002. O caso foi tema de discussões também no Congresso Nacional em 2004, durante a CPI que investigou o tráfico de órgãos. Os médicos foram acusados de homicídio doloso qualificado pelo Ministério Público Federal.

Em janeiro deste ano, o pai do menino, Paulo Airton Pavesi, que vive na Europa, publicou o livro “Tráfico de Órgãos no Brasil – O que a máfia não quer que você saiba”. Com diferentes passagens que relatam a despedida do garoto, a exumação do corpo e a luta para provar que o menino foi vítima da chama ‘Máfia dos Órgãos’, Pavesi enfatiza que a história toda foi censurada e por isso, optou por lançar o livro de maneira independente e distribuir livremente pela internet.

Fonte: Site G1 – Sul de Minas.

 

You may also like...

0 thoughts on “TJ mantém condenações, mas reduz pena de médicos da máfia dos órgãos”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *