Com estiagem, inverno pode trazer racionamento, diz comitê

A falta de chuvas atípica para o período que atinge o Sul de Minas desde o fim do ano passado preocupa autoridades quanto ao abastecimento de água e energia elétrica na região. Em Varginha (MG), a estiagem afastou o curso natural do Rio Verde em metros das margens, e no local, o que se vê são apenas pedras. Com isso, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) já usa bombas para captar água e manter o abastecimento da cidade e mudou o local de captação. O Rio Verde interfere diretamente no Reservatório de Furnas, e o baixo nível do rio preocupa também o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Verde quanto a racionamento no inverno caso a situação não melhore.

Da varanda do restaurante do Edimar Menegucci, é possível ver que o Rio Verde está mais distante. O comerciante que já viu a água passar por cima do muro do local em períodos de cheia do rio, agora está preocupado com o abastecimento de água. "A gente fica com um déficit de água muito grande, até mesmo pra usar aqui no restaurante. Eu já tive que fazer um investimento aqui, porque o meu poço semi-artesiano, de 5 mil litros, tive que fazer mais um com 1,1 mil litros pra suprir minha necessidade aqui."

O nível de água no Rio Verde está tão baixo que nem na época de estiagem, como a que ocorreu em 2012, era possível ver um cenário como o que está atualmente. As imagens abaixo mostram que no meio do curso normal do rio, mesmo no período de forte seca, a água encobria as pedras do rio, mas agora o que se vê mais parece um córrego entre as rochas.

Trecho
 

Estiagem pode gerar racionamento

O Rio Verde nasce na Serra da Mantiqueira, no limite dos municípios de Itanhandu (MG) e Passa Quatro(MG). Ao longo dos 220 quilômetros, a bacia hidrográfica envolve 31 municípios até chegar à foz no Lago de Furnas, entre os municípios de Três Pontas (MG) e Elói Mendes (MG).

Apesar da chuva nos últimos dias, a estiagem segue preocupando no Sul de Minas. Em Varginha(MG), por exemplo, de acordo com o Instituto Somar de Meteorologia, a chuva ficou bem abaixo do esperado para o mês de maio: dos 43 milímetros de chuva estimados para o município, caíram apenas três milímetros.

"Eu nunca vi essa situação nesse período do ano", afirma o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Verde, Valentin Calenzani. "Tem quase 20 anos que eu estou aqui na região, trabalho aqui na região a mais tempo que isso, e nunca vi uma situação tão catastrófica no ponto de vista de quantidade de água."

Ainda segundo Valentin, se o quadro não se reverter, o período de inverno pode ser de racionamento. "Em um período em que realmente deveria ter chovido, não choveu, então nós estamos diante de uma situação em que ela poderia se considerar como normal num final de um período de escassez, de seca, que seria lá por setembro ou outubro talvez. Mas uma situação como essa no início do período seco, não tem dúvida que é uma situação que preocupa e que inspira cuidados. Realmente nós estamos em um período em que a natureza está dizendo que é preciso rever hábitos perdurados", completa.

Mudanças para captação de água

A queda no volume de água no Rio Verde já traz reflexos à captação feita pela Copasa. Neste período, o canal usado pela companhia recebia água por gravidade, sem ajuda de bombas. As máquinas que só eram ligadas a partir dos meses de setembro estão operando desde fevereiro. "Todos os anos a Copasa inicia esse bombeamento a partir do mês de setembro. Este ano, [por causa da] estiagem, nós iniciamos a operação no mês de fevereiro", afirma o gerente do Distrito do Rio Verde da Copasa, Marco Aurélio Ribeiro.

Para assegurar o abastecimento de água em Varginha, a concessionária está instalando uma balsa nova para reforçar o sistema de captação de água. O equipamento foi colocado num trecho mais profundo do rio onde o volume de água é maior. "Essa obra [começa] agora no início dessa semana, onde teremos uma captação por balsa, que vai assegurar o abastecimento do município de Varginha. Essa balsa terá o papel de bombear água do manancial do Rio Verde pra dentro dos nossos canais", explica Ribeiro. O custo da obra será de mais de R$ 1 milhão, ainda de acordo com o gerente regional.

Copasa

FONTE: G1 SUL DE MINAS

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