“Jeitinho mineiro”: falta de atitude dos homens de BH incomoda solteiras na paquera

O jeito “quietim” e reservado muitas vezes faz sucesso: não falta quem admire o comportamento suave tão peculiar dos mineiros. No entanto, o que poderia ser motivo de orgulho vira alvo de reclamações das mulheres em BH. As solteiras garantem que anda faltando um “cadim” de iniciativa entre os homens em “botecos” ou baladas. Para elas, aquele velho ditado de que os mineiros “comem quietos” os deixou quietos demais.

Marília Dutra, 25 anos, vive em Belo Horizonte há um ano. Embora elogie os homens dizendo que “são muito bonitos e gostam de conversar”, ela garante que sentiu a diferença de tratamento na hora da paquera. Para a jornalista, os solteiros da capital mineira estão demorando demais na hora da abordagem e perdem a chance de conhecer alguém legal. 

— Em Belo Horizonte, eles demoram um pouco mais para chegar, para conversar. Já vi isso acontecendo com amigas e, recentemente, comigo também. O moço me olhava, até falou comigo, mas ficou nisso. 

Ela reclama ainda que os solteiros têm medo de um relacionamento sério. Mesmo quando engatam uma paquera, demoram a dar sinais positivos sobre a relação e simplesmente somem. 

— Acho bacana quando eles gostam de conversar antes de investir. Mas depois demoram muito a dar sinal. Um rapaz me pediu o WhatsApp e nunca me cumprimentou

A nutricionista Camilla Serva, de 25 anos, vai além. Para ela, os belo-horizontinos “têm pouca desenvoltura para conversar”. Ela acha arriscado tentar estabelecer um contato, já que a mulher pode ser “mal interpretada”. 

— Já morei em outros lugares e é bem diferente. Muitas vezes aqui você fica olhando, ele vem conversar, mas não chega em você. Eles têm dificuldade para se aproximar. 

Em outra balada, Camilla comprovou a tese. Foi abordada rapidamente por um rapaz, com quem conversou por muito tempo. Ela desconfiou que o paquera não era de BH. E estava certa. 

—Eu nem estava com intenção de ficar e o cara conversando na maior boa vontade A desenvoltura é diferente, logo eu descobri que ele não era daqui

Daniela Falcão, que costuma frequentar as festas da cidade com Camilla, concorda com a amiga. Ela chegou há quatro meses na capital e é de Juiz de Fora. Também sentiu na pele a “falta de atitude” dos mineiros da cidade. 

— Às vezes a gente acaba tendo que tomar a atitude. Ou você fica olhando a noite inteira ou então o cara conversa, mas não fala nada, não chega. Não sei o que pode ser 

A jovem concorda que os homens rejeitam procurar uma relação mais firme.  

— Eu ficava com um cara que sumia durante vários dias. Depois aparecia de novo, sumia… Você vê que ele não quer nada

A jornalista Lívia Laroqui de Carvalho, de 28 anos, ameniza o comportamento aparentemente retraído dos solteiros. Ela concorda que, em outras cidades, os homens costumam ser mais diretos, mas elogia o estilo de abordagem dos belo-horizontinos na hora da paquera. 

— Eles gostam mais de conversar, trocar ideia, nem sempre vai ficar. Não acho que sejam mais tímidos, é só um estilo.Mas quando o cara fica indeciso a noite toda é complicado. 

Para Lívia, o comportamento masculino — de evitar se envolver — é reflexo da banalização dos relacionamentos. 

— Ficou muito fácil. Você beija e tchau, troca WhatsApp, mas não dá em nada. Ter toda a liberdade, por um certo lado, não é bom. Mas compromisso é diferente de comprometimento. As pessoas estão perdendo o respeito, um mínimo de consideração você tem que ter

O publicitário Ramon Mattos, de 24 anos, tenta defender a classe. Ele acredita que o medo da rejeição pode “travar” os homens, já que muitos se preocupam com a opinião dos amigos. Para ele, a abordagem depende do contexto.

— A noite é o jogo da sedução e, por mais que o mundo se diga machista, quem dá as cartas são as mulheres. Elas é que fazem a conversa fluir. O homem pode até chegar com a intenção, mas durante o papo ele se adapta de acordo com que a mulher demonstra.

Mattos ressalta que as mineiras “esperam muito” a iniciativa dos homens, enquanto eles, muitas vezes, ficam esperando ver onde a conversa vai dar para encontrar uma brecha. Para o publicitário, falta “se impor e ser mais claro” sobre o que deseja. 

— Homem se importa muito com o que os outros pensam e acabam não fazendo o que têm vontade 

FONTE: R7 MINAS GERAIS

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