Detentos feridos em motim estão em estado grave em hospitais de MG

Após o motim na Cadeia de Campestre(MG) que deixou um morto e sete feridos, 31 detentos foram transferidos para outras unidades do Estado. Cinco que estavam no regime semiaberto foram levados para o Presídio de Alfenas (MG) e os demais presos, do regime fechado, foram encaminhados para o Presídio de Três Corações(MG). Entre os detentos transferidos para Alfenas está o suspeito de ter iniciado um incêndio durante o motim.

Sete presos continuam internados em hospitais da região, sendo que dois deles estão em estado grave. Anderson Aparecido Neves e Joel Ferreira da Costa estão internados no CTI do Hospital Alzira Velano, em Alfenas. Cleberson Vicente Ferreira está na sala de emergência do hospital, mas o estado de saúde dele não foi confirmado.

Na Santa Casa de Poços de Caldas(MG), estão internados Douglas Eduardo Pego, Lucas dos Reis Franco, Renato Gomes de Souza e Rener Sandro dos Santos Lima. Conforme o hospital, todos estão no setor de urgência e emergência e apesar das queimaduras, o quadro é estável e eles não correm risco de morte.

Em julho deste ano, a Justiça decretou o fechamento da cadeia e a transferência dos presos, o pedido foi baseado em um laudo que apontava que a unidade estava em más condições.

Ainda conforme a polícia, com o incêndio, a Cadeia de Campestre foi interditada. A cela em que o fogo começou ficou destruída.

Entenda o caso
De acordo coma polícia militar, o motim começou na noite de segunda-feira (25) porque um dos detentos recebeu a informação de que um grupo seria transferido da unidade. No momento do incidente, não havia agentes próximos e eles foram acionados apenas pelo alarme de fogo da unidade prisional.

“Ainda não sabemos como ele ateou fogo dentro da cela ou quais foram os materiais usados por ele. A fumaça que se formou foi bastante intensa e tivemos dificuldades para retirar os detentos lá de dentro, foi um resgate complicado. A população ajudou no combate ao fogo com baldes de água e com mangueiras”, explicou o tenente José Irys Rodrigues.

A Polícia Militar informou ainda que os primeiros detentos foram retirados menos de cinco minutos depois do início do incêndio, mas alguns presos demoraram mais para deixar a cela. Um caminhão-pipa da prefeitura também foi usado. Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, as chamas já estavam controladas. Com o incêndio, a energia elétrica da unidade foi desligada.

“Perdi tudo”, disse viúva
“Eu perdi tudo”, disse Fabiana Lopes Germano, a viúva do detento Sebastião Luis Germano, de 42 anos, que morreu durante o incêndio na cadeia, na noite de segunda-feira.  “Eu não aguento mais tanto sofrimento. Minha mãe morreu domingo e agora morreu meu marido. Ele foi morto injustamente”, disse a mulher.

Ainda de acordo com ela, o detento estava preso desde novembro de 2013 e cumpria no regime semiaberto pena por ter incendiado um veículo. Ele deixou dois filhos. Até esta publicação, a informação ainda não havia sido confirmada pelo delegado responsável pelo caso.

Justiça pediu interdição da cadeia em julho
Em julho deste ano, uma determinação judicial decretou que a Cadeia de Campestre fosse fechada e os presos transferidos. A decisão foi dada após uma vistoria feita por dois engenheiros da central de apoio técnico, ligada ao Ministério Público, que constatou más condições no local, que é de responsabilidade da Polícia Civil.

Na ocasição, além de mofo, paredes trincadas e sinais de infiltração, os engenheiros observaram que a cela com capacidade máxima para 23 detentos estava com 54 presos. Durante a vistoria foram identificadas também algumas aberturas onde, segundo a promotoria, os detentos poderiam esconder drogas, armas e celulares.

O parecer também concluiu que a unidade trazia riscos de incêndio e rebeliões. Com base no laudo, o promotor de Campestre, Danilo Tartarini, entrou na Justiça com uma ação civil pública, alegando que a cadeia não tinha condições de receber detentos e pediu a interdição para a reforma do local.

Após o motim desta segunda-feira, o promotor Danilo Tartarini informou que como o prazo de 30 dias para retirada dos presos não foi cumprido, os responsáveis pela retirada dos detentos podem responder processo por terem adiado a transferênica.

FONTE: G1 SUL DE MINAS

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