Inquérito sobre abandono de bebê é concluído em Pouso Alegre, MG

A mãe e o ex-namorado de Taynara Priscila da Silva, de 22 anos, foram ouvidos nesta terça-feira (9) pelo delegado da Polícia Civil de Pouso Alegre  (MG), Renato Gavião, no inquérito que apura as circunstâncias em que a estudante de prótese dentária deixou no telhado do prédio onde morava a filha recém-nascida. A tentativa de infanticídio, como o caso vem sendo tratado pela polícia, foi registrada na terça-feira, dia 2 de setembro. Taynara chegou a ser presa, mas foi liberada menos de 24 horas depois e deve responder ao processo em liberdade. Com a oitiva de pessoas ligadas à jovem, o inquérito está em fase de conclusão.

Segundo o delegado, tanto a mãe de Taynara, uma inspetora de escola de Itajubá de 50 anos de idade, quanto o último namorado, um desenhista industrial de 26 anos, afirmaram desconhecer a gravidez da jovem.

“A mãe disse que a filha não sabia da gravidez e que ela estava com a menstruação desregulada. Em fevereiro, Taynara foi ao médico, que trocou o anticoncepcional dela”, relatou Renato Gavião, para quem o depoimento da mãe reforça a hipótese de que o abandono do bebê, de fato, teve forte influência de um estresse pós-parto.

“O ex-namorado também foi ouvido e disse que os dois terminaram o relacionamento em janeiro, depois de seis, sete meses de namoro e que ele não percebeu nenhuma alteração física nela”, disse o delegado sobre o depoimento do desenhista industrial. A avó e o ex-namorado foram ouvidos por volta das 10h desta terça-feira.

Renato Gavião informou que, com as oitivas das duas pessoas ligadas à mãe do bebê, o inquérito foi concluído. Ele tem até 20 dias para encaminhar o material para o Ministério Público Estadual. “Provavelmente, ela irá a júri popular por tentativa de infanticídio, pois o fato de não ter conhecimento da gravidez, não a exime de responsabilidade”, observou o delegado.

A menina deixada no telhado de um prédio no bairro Medicina continua internada no Hospital das Clínicas Samuel Libânio. Não há informações de quando ela será liberada. Em depoimento à polícia, a avó teria dito que toda a família, inclusive Taynara, não vê a hora de levar o bebê para a casa em Itajubá (MG).

Processo
A moradora do primeiro andar de um prédio na Avenida Alfredo Custódio de Paula, no bairro Medicina, teve um bebê no apartamento e o colocou sobre o telhado de ligação entre as duas alas do prédio pela janela do banheiro na terça-feira, 2 de setembro. Por volta das 18h30, uma vizinha do segundo andar viu a criança no telhado sem roupa, ainda com vestígios de placenta, e chamou o socorro. A mãe da criança foi identificada horas mais tarde e acabou confessando.

Taynara Priscila da Silva foi internada no Hospital das Clínicas Samuel Libânio sob custódia policial e passou por exames. Na quinta (4), pela manhã, ela foi transferida para o Presídio da cidade, mas teve a liberdade provisória concedida pela justiça na mesma noite. Ela foi levada para a casa da família em Itajubá.

O bebê, no entanto, permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital das Clínicas Samuel Libânio, depois de ter dado entrada com um quadro de hipotermia. A criança foi encontrada no telhado sem roupa e suja de sangue e placenta.

De acordo com o hospital, a recém-nascida de 2,450 quilos teve perda de sangue pelo cordão umbilical e passou por cirurgia. Na sexta-feira (5), ela já respirava sem ajuda de aparelhos e seu estado de saúde era considerado estável pelos médicos.

Pessoas que conviveram com a jovem custam a acreditar no que aconteceu. Luciene Sandoval Silva, dona do laboratório onde a estudante do curso técnico de prótese dentária estagiava, diz que ninguém percebeu a gravidez.

“Muito chocante. Ela entrava de jaleco longo e largo. Ninguém imaginava que ela estava grávida. Ontem à tarde (2 de setembro) ela passou muito mal, dizendo que estava com muita cólica, e a gente achou que era só cólica mesmo”, disse Luciene. No laboratório de prótese dentária, a estudante estagiava há dez dias.

Resgate
Um vídeo mostra o resgate do bebê. Nas imagens, o policial que fez o resgate aparece emocionado ao perceber que a criança recém-nascida estava viva: “‘Tá vivo! ‘Tá vivo! É recém-nascido. Olha que anjo”. A menina foi levada imediatamente para o Hospital Samuel Libânio.

O bebê estava na altura do primeiro andar, no telhado de ligação entre duas alas de um prédio no bairro Medicina. A estudante Kariny Reis Pereira, moradora do segundo andar, foi quem encontrou o bebê. “Eu cheguei em casa, abri a janela e a vi no telhado. Ela estava quietinha, então eu até pensei que fosse uma boneca. Mas aí ela começou a se mexer e chorar. Aí eu assustei. Ela estava limpa, com um pouco de placenta assim no rosto e com o cordão umbilical”, relatou.

Nas ruas, muitas pessoas queriam saber o que tinha acontecido e foi preciso interditar a entrada do prédio. Dentro do condomínio, policiais militares e a perícia da Polícia Civil conversavam com os moradores e a suspeita de 22 anos foi identificada. A estudante tinha acabado de se mudar para o apartamento próximo de onde o bebê foi deixado. A janela do banheiro fica bem ao lado do telhado. Roupas sujas de sangue foram recolhidas pelos peritos.

“Ela estava com a temperatura baixa, em torno de 35º C, e muito pálida, [consequência] de um nascimento sem assistência”, explica Eduardo Magalhães, chefe do setor de pediatria do hospital para onde a recém-nascida foi levada.

O policial que resgatou a criança do telhado estava emocionado por conseguir salvar a vida da menina. “Teve um momento que eu queria saber se ela estava em condições, se estava em choque, comecei a mexer com a criança, ela colocou o dedo na boca e deu um choro. Eu fiquei muito feliz por saber que a gente estava salvando uma vida ali”, conta o sargento Anderson Soares Silveira.

Fonte: G1 SUL DE MINAS

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