Júri de médicos acusados de integrar “Máfia dos Órgãos” é transferido para BH

O julgamento de quatro médicos acusados de integrar a ” Máfia dos órgãos” vai ser transferido para Belo Horizonte. O pedido, feito pelo Ministério Público de Minas Gerais, foi aceito nesta terça-feira (7) pelo Tribunal de Justiça. O júri ainda não tem data prevista.

O MP pediu a transferência de Poços de Caldas, no sul de Minas, para a capital sustentando que o alto poder econômico dos réus, aliado à influência natural que exercem sob os cidadãos da cidade, já que todos são médicos e atendiam pelo SUS (Sistema Único de Saúde), podia levar os jurados a decidirem por influências externas ao processo.

Ao analisar o pedido, o desembargador relator, Flávio Batista Leite, ressaltou que, além de serem pessoas abastadas economicamente e benquistas pela maioria da população da cidade, “restou demonstrado nos autos que eles, os réus, se não estão promovendo uma campanha ostensiva na mídia local, estão sendo, sim, beneficiados por diversas notas e comunicados que vêm sendo publicados nos mais diversos jornais locais e regionais, com a assinatura de seus órgãos e associação classistas”.

Entre os réus estão o nefrologista Álvaro Ianhez, o anestesiologista Marco Alexandre Pacheco da Fonseca, o intensivista José Luiz Bonfitto e o neurocirurgião José Luiz Gomes da Silva. Eles respondem pela retirada dos órgãos ainda durante o tratamento do menino Paulo Veronesi Pavesi, em abril de 2000, caso que ganhou repercussão internacional e provocou o fechamento da central clandestina MG Sul Transplantes.

Segundo denúncia do ministério público os profissionais seriam responsáveis pelo atendimento a Pavesi, que caiu durante uma brincadeira no prédio onde morava, mas teve o tratamento negligenciado para que a retirada dos órgãos fosse possível.

Em fevereiro de 2014, os médicos Sergio Poli Gaspar, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram condenados, respectivamente, a 14, 17 e 18 anos de prisão pelo crime de remoção de órgãos de Paulo Pavesi, com o agravante de prática em pessoa viva, resultando em morte. Eles chegaram a ser presos, mas receberam habeas corpus e cumprem medidas cautelares, como a proibição de trabalhar na rede pública, enquanto aguardam recurso.

Fonte: R7 MINAS GERAIS

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