Policiais que participaram de tiroteio em Itamonte são ouvidos pela Justiça

Quatro Policiais Civis que participaram da troca de tiros com assaltantes que explodiram caixas eletrônicos, emItamonte (MG), foram ouvidos pela Justiça nesta quinta-feira (9), em São Lourenço(MG). O caso aconteceu no dia 22 de fevereiro deste ano e terminou com oito assaltantes mortos e um inocente, o professor Silmar Madeira, de 31 anos, que foi feito refém durante a ação.

Os policiais foram ouvidos como testemunhas de acusação. Cinco dos assaltantes presos também estavam no Fórum. Deles, quatro aguardam julgamento na Penitenciária Nelson Hungria, em contagem (MG), e um no interior de São Paulo.

Tiroteio e mortes em Itamonte
Durante a madrugada do dia 22 de fevereiro, cerca de 200 policiais civis e militares renderam uma quadrilha que explodiu um banco e se preparava para explodir outros dois em Itamonte. Ao todo, nove pessoas morreram e cinco policiais civis ficaram feridos.

Por volta das 2h, os criminosos explodiram caixas eletrônicos do Banco Bradesco e, durante a ação, foram cercados pelos policiais, que já tinham informações sobre a possibilidade do assalto. A quadrilha já era investigada havia pelo menos três meses.

Enquanto uma parte do grupo explodiu a outra agência, os outros integrantes ficaram em uma praça onde têm dois bancos, só que antes de detonar a dinamite, eles foram surpreendidos pela polícia. Os assaltantes estavam divididos em sete carros e, de acordo com a assessoria do governo do estado, eles pretendiam também dominar o pelotão da Polícia Militar de Itamonte e atacar ainda caixas eletrônicos em Itanhandu (MG). Durante a ação em Itamonte, foram apreendidos fuzis, espingardas calibre 12, pistolas, dinamites, munições e coletes à prova de bala. A informação da polícia é de que a quadrilha seja formada por pelo menos 20 pessoas. Quatro delas foram presas no local.

Um homem de 26 anos foi preso pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes (SP) em um condomínio de luxo na cidade de Arujá (SP). Com ele, foram apreendidos uma moto, veículos e dinheiro manchado com tinta vermelha, proveniente do sistema de segurança dos caixas eletrônicos. Outro homem suspeito de integrar a quadrilha foi preso em Pindamonhangaba(SP).

Entre as pessoas mortas durante a operação em Itamonte, oito eram do Estado de São Paulo e um era de Itanhandu. Três policiais civis foram atingidos por disparos feitos por fuzis. Eles foram socorridos em um helicóptero e levados para São Paulo (SP). Dois criminosos também ficaram feridos, foram internados e após receberem alta, foram levados para o Presídio de Pouso Alegre(MG). Já os corpos foram levados para os IML de São Lourenço (MG), Pouso Alegre (MG) eItajubá (MG).

A Polícia Rodoviária Federal também apoiou a operação. Embora os policiais tenham cercado a cidade, alguns criminosos conseguiram fugir e, apesar das buscas feitas com helicópteros da Polícia Militar em matas próximas, não foram encontrados.

Professor morto
O tiroteio terminou com a morte de um inocente, o professor Silmar Madeira. Segundo Deic, a vítima foi usada como escudo por um dos criminosos. Na noite do tiroteio, Silmar tinha ido até a casa da namorada, em Itamonte. O tio dela, que não quis se identificar, conta que os dois saíram naquele sábado. “Ela foi a última a sair com ele naquela noite. Eles estavam em um restaurante e chegaram em casa entre 1h30, 2h30. Ele a deixou no portão de casa e foi embora”, afirma. Na ação realizada em Itamonte, testemunhas disseram que o professor foi rendido por um dos bandidos em fuga, que tomou o carro do professor e o levou como refém.

“Ele foi inserido na cena do crime de uma forma involuntária e, infelizmente na hora do tiroteio, não foi possível fazer essa distinção. Creio que foi uma fatalidade e um tremendo azar, tanto da parte dele, quanto da nossa”, complementou o delegado João Euzébio Cruz.

O professor dava aulas de técnicas em segurança do trabalho e também coordenava o curso técnico no Educandário São Francisco de Assis, em Itamonte, há 8 anos. Durante o dia ele trabalhava em Passa Quatro (MG) em uma empresa também de segurança do trabalho. Ele morava com os pais em Itanhandu e deixou duas filhas, uma de 6 anos e outra de 6 meses, que eram de outro relacionamento.

O corpo do professor foi sepultado em Itanhandu.

Fonte: G1 Sul de Minas

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