Com crise financeira, Santa Casa demite 21 funcionários em Poços de Caldas, MG

A Santa Casa de Poços de Caldas (MG) confirmou nesta segunda-feira (17) a demissão de pelo menos 21 funcionários da instituição, que enfrenta uma crise financeira. Segundo familiares de pacientes, dentro do hospital, faltam materiais de trabalho. Além disso, o aparelho de tomografia está quebrado há um mês.

O hospital não informou o total da dívida, mas somente até agosto deste ano, o déficit girava em torno de R$ 1,4 milhão. A administração hospitalar não confirmou se existe a possibilidade de que outros funcionários, de um total de 750, sejam demitidos, mas também não descartou essa hipótese. Conforme o hospital, há atraso no repasse de verbas que são geridas pela Prefeitura de Poços de Caldas e pelo Governo do Estado de Minas Gerais.

A superintendente do hospital, Renata de Cássia Cassiano Santos afirma que o subfinanciamento da tabela do SUS é um dos principais problemas enfrentados nesta crise. “Não só a Santa Casa de Poços de Caldas, mas em mais de 80% das Santas Casas do Brasil existe uma dificuldade. Primeiro, o subfinanciamento da tabela. É impossível você trabalhar com 80% do SUS, como a Santa Casa trabalha, para que 20% dos convênios equilibrem essa diferença da tabela. Além disso, existe também o problema de urgência e emergência, que eu comparo a uma estrutura do Corpo de Bombeiros. Tendo ocorrência ou não, todos os funcionários tem que estar à disposição”, comentou.

Em relação às demissões, Renata informou que a medida foi tomada para tentar equilibrar as contas e que a decisão não prejudicou o atendimento aos pacientes. “Nós ainda estamos trabalhando dentro das portarias vigentes e dentro do que os conselhos de classe preconizam”, completou.

Ainda segundo a superintendente, não houve fechamento de leitos no hospital, que continua com 164 leitos funcionando. Ela também descartou a falta de materiais de trabalho dentro da Santa Casa. “Não tive informações de que faltam materiais. O que acontece é que às vezes o próprio paciente prefere trazer a sua toalha, seus pertences. É claro que temos dificuldade em manter o enxoval em dia, mas não fizemos nenhum tipo de apelo, está tudo sob controle”, disse.

Já sobre o tomógrafo, a superintendente informou que uma segunda cotação para a compra de uma peça queimada está sendo feita e que em cerca de 15 dias o equipamento voltará a funcionar.

Verbas e repasses
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, pelo menos duas parcelas de R$ 500 mil cada que eram para ter sido repassadas pelo governo estadual, estão atrasadas. As verbas devem ser enviadas ao município a cada quatro meses.

Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde (SES), o pagamento da primeira parcela foi repassado para a prefeitura no último dia 22 de agosto. Ainda segundo a assessoria, o pagamento da segunda parcela já está autorizado e o montante total dos recursos deve ser repassado até o final do ano.

Uma outra verba de R$ 250 mil da prefeitura para o setor de urgência e emergência também está atrasada. Conforme a Secretaria de Saúde, ainda não há previsão de quando o pagamento será feito. A preocupação é de que despesas extras de fim de ano, como o pagamento do 13º salário dos funcionários, possa retardar ainda mais o repasse.

O Ministério da Saúde informou que repassou mais de R$ 19 milhões este ano pelos atendimentos prestados pela Santa Casa de Poços de Caldas. Além disso, o hospital recebeu entre janeiro e outubro deste ano outros R$ 5,6 milhões em incentivos.

O Sindicato dos Empregados e Estabelecimentos de Serviço de Saúde em Poços de Caldas não quis comentar sobre o caso.

Fonte: G1

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