Nadinho, procurado pela Polícia, mantinha boa relação com o poder público municipal

Por Henrique Higino

“A sociedade não pode aceitar com naturalidade um cidadão com o apelido de Jair do Pó”. A frase é do delegado regional Celso Ávila e foi dita, no último dia 17, durante a apresentação de presos acusados de tráfico de drogas e roubos. Em outras palavras, o delegado quis dizer que a população precisa denunciar traficante, colaborar com a polícia e não se acomodar com naturalidade diante das ações de traficantes.

A fala do delegado parece provocativa, mas merece atenção e respeito. O delegado, que vem desempenhando um bom trabalho no combate a criminalidade não exagerou, pois parte da população aceita com normalidade um “vizinho” vender crack e usar menores no tráfico.

Mas, o que dizer, ou que esperar de uma sociedade que aceita o poder público ter estreitas alianças com traficantes. É o caso da Prefeitura de Alfenas com o procurado Reginaldo Pereira da Silva, o Nadinho.

Nadinho foi um dos responsáveis pelo andamento de um torneio de futebol que aconteceu em 2014 e era presidente do clube Chapadão, que venceu a competição. Na época do campeonato, Nadinho teve apoio da prefeitura – mesmo a cidade inteira sabendo do seu envolvimento com o tráfico – e era visto com freqüência na secretaria municipal de Esporte e Juventude, onde usava salas para reunião e transitava como se fosse funcionário.

Nadinho aparece em uma lista divulgada essa semana pela Polícia Civil como procurado pela justiça. Ele é acusado de tráfico de drogas – seria um dos lideres do tráfico na cidade – e também é apontado como mentor de pelo menos um homicídio. Além de Nadinho, outras cinco pessoas estão sendo procuradas.

Apesar da ficha criminal, Nadinho manteve boa relação não apenas com a Secretaria de Esporte do governo Maurílio Peloso, mas também no governo petista.

Durante o governo petista, Nadinho era visto com freqüência dentro da Prefeitura em conversas com o Chefe de Gabinete Antonio Carlos Esteves. Antes de trabalhar na prefeitura, Antonio Carlos era advogado do rapaz.

O “trânsito” de Nadinho não se limitava ao gabinete de Antonio Carlos. O rapaz também mantinha influência na Secretaria de Esporte do governo petista. Em maio de 2011, por exemplo, a PM cumpriu mandados de busca e apreensão em um dos imóveis de Nadinho e encontrou cinco bolas de futebol, todas novas e sem uso, que são distribuídas pelo Governo Federal através da Prefeitura de Alfenas. Na época, a prefeitura não se manifestou sobre o porque das bolas estarem na casa de um traficante.

Os procurados

Além de Nadinho, estão sendo procurados pela polícia Wellington Luiz Ribeiro, o Eré. O rapaz é apontado como homicida. Também compõe a lista José Dias Batista, o Faustão, acusado de roubo. João Batista Gonçalves, o João Branco, é procurado por homicídio. Amilson Azola, o Alemão, também é procurado por homicídio e Renan de Souza, o Neguinho, é procurado por tráfico de drogas e roubos.

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Para ajudar a policia a encontrar os acusados não é necessária a identificação. Basta ligar para 190 ou 181.

 

Texto de responsabilidade exclusiva do Autor.

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