Cheque “sem fundo” do ex-prefeito Pompilio Canavez circula pela internet

Henrique Higino

A cópia de um cheque sem fundos, emitido pelo ex-prefeito e ex-deputado Pompilio Canavez, está circulando pelas redes sociais, em sites de notícias e em sites que publicam artigos. O cheque teria sido emitido para o pagamento de pessoas que trabalharam na campanha para o ex-deputado nas eleições de outubro de 2014. Pompilio estava em seu primeiro mandato como deputado estadual e tentava a reeleição, mas acabou derrotado nas urnas.

O cheque do Banco do Brasil, no valor de R$ 500, está com data de 02 de outubro, 02 dias antes das eleições, ocorridas em 05 de outubro. Uma semana depois, o cheque é devolvido pelo banco duas vezes, nos dias 09 e 13. O motivo: sem fundos.

Segundo informações que circulam na internet, pelo menos cinco cheques sem fundos estão indo à protesto. Essa informação não foi confirmada pelo Alfenas Agora. A emissão dos cheques pode ser configurada como crime de estelionato.

Mais escândalo

Este não é o primeiro escândalo da vida pública do ex-prefeito Pompilio Canavez. Antes de deixar o cargo de deputado estadual, ele aumentou em até 481% o uso de verba indenizatória. O ex-deputado gastou em outubro do ano passado, mês das eleições, R$ 65 mil da verba indenizatória na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. O valor gasto representa um aumento de 481% em relação aos meses anteriores do ano, que era de R$ 11.175.

A publicação da verba indenizatória está condicionada à prestação de contas pelo parlamentar, como confecção de panfletos ou diferentes tipos de anúncios nos meios de comunicação.

O abuso com o dinheiro público foi noticiada na coluna de Ricardo Correa, do Jornal o Tempo, de Belo Horizonte. Na ocasião, ele não falou ao Jornal o Tempo.

Este não foi o único aumento desproporcional feito por Pompilio enquanto ocupava um cargo público. Antes de deixar o cargo de deputado, logo após a derrota nas urnas, Pompilio fez mudanças em seu gabinete e deu aumento de mais de 1.000% a alguns colegas de trabalho.

A notícia foi divulgada em primeira mão pelo jornal Estado de Minas. Segundo a imprensa da capital mineira, o gabinete do deputado de Alfenas foi o que passou por uma das maiores mudanças. Um dos casos refere-se a recontratação de Waldecir dos Santos, um antigo aliado que exercia o cargo de agente de serviços de gabinete e recebia R$ 798,80. Com o remanejamento, o servidor amigo, foi promovido a auxiliar técnico executivo II e passou a receber R$ 9.253,11. Um aumento de 1.158%. O resultado das modificações foi uma folha de pessoal do gabinete R$ 7.720,70 mais cara.

Em entrevista ao Estado de Minas, Pompilio alegou que alterações foram devido a uma avaliação de desempenho dos funcionários e o servidor, que recebeu um aumento de mais de 1.000%, teria se revelado “uma pessoa muito competente durante a campanha”.

Outro caso de abuso com o dinheiro público aconteceu quando Pompilio estava em seu segundo mandato como prefeito de Alfenas. Na ocasião, ele concedeu um aumento de 112% no salário do vice-prefeito Luiz Antônio da Silva (PT). Luizinho recebia R$ 4.693,22 e passou a ganhar R$ 10.433,33.

Em 2008, quando era prefeito de Alfenas, o jornal o Tempo noticiou que ele havia sido indiciado pela Polícia Federal por formação de quadrilha e desvios de recursos do Fundo de Participação dos Municípios – caso investigado pela operação Pasárgada.

Mandato Medíocre

Pompilio Canavez cumpriu o mandato de deputado estadual sem nada de relevante para a população de Alfenas. Não conseguiu verbas expressivas para a cidade, não criou leis importantes e nem fiscalizou o governo Aécio Neves. Seu mandato como deputado custou aos cofres públicos, em 4 anos, mais de R$ 4 milhões.

Apesar da fraca participação como legislador, Pompilio Canavez soube usar os privilégios do cargo. Andava sempre de Santa Fé, um dos carros mais caros do país, pago com dinheiro público. Contratou pessoas para seu gabinete que nem visitavam Belo Horizonte.

Como prefeito, ele também usufruiu do cargo em proveito próprio. Chegou a trazer sua irmã, Maria de Lourdes, de São João Del Rey, para uma cirurgia de varizes na cidade. A medida foi ilegal. Ela falsificou o endereço da residência e ainda “furou a fila” do SUS para ser atendida.

Pompilio estava em seu primeiro mandato como Deputado, teve pouco mais de 27 mil votos e não foi reeleito. Ele foi procurado diversas vezes pela reportagem do Alfenas Agora, mas não foi localizado.

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