Com queda na produção, Alfenas registra mais de 500 demissões

A crise que afeta o setor industrial do país trouxe consequências em Alfenas. A cidade já registrou mais de 500 demissões e uma empresa chegou a fechar as portas. A justificativa da maioria é a queda na produção.

Em uma empresa que faz o beneficiamento de peças de vidro, grande parte das operações teve que ser paralisada por falta de demanda. “Estava produzindo uma média de 45 mil metros de vidros. Hoje está oscilando na casa de 25, 26 mil metros de vidro”, diz o gerente de produção Dilmar Pereira de Araújo.

>> As informações são do G1 Sul de Minas

A empresa chegou a comprar mais carros para investir nas vendas externas, mas não conseguiu evitar as demissões, que já passam de 90. A estimativa da gerência é que com o pessoal reduzido seja possível atravessar a crise.

“Por enquanto, acho que dá pra aguentar com esse pessoal que estamos hoje na empresa. Contratamos vendedores externos e estamos colocando na rua pra buscar mais produto pra nós podermos trabalhar e evitar um corte maior”, afirma Dilmar.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Alfenas, uma injetora de peças para motos também teve que dispensar cerca de 100 funcionários. No distrito industrial da cidade, uma fundição, que chegou a empregar mais de 250 pessoas, acabou tendo que fechar as portas.

“Nós viemos fazendo vários acordos pra resguardar o emprego do trabalhador até sair dessa crise, que tomara que passe logo”, conta Cláudio Roberto Américo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Alfenas e Região.

Sem aviso prévio

Na semana passada, uma empresa que oferece cursos à distância também demitiu os cerca de 90 funcionários que tinha em Alfenas, mas nenhum dos trabalhadores foi avisado com antecedência. Eles simplesmente chegaram pra participar de uma reunião e receberam a notícia.

“Falaram que estavam fechando não só o callcenter, mas a empresa inteira, porque tudo que era feito aqui em Alfenas, era feito em São Paulo, e não fazia sentido para a empresa manter dois polos”, diz Laísa Alves de Vasconcelos, que também foi demitida.

A demissão em massa não foi comunicada previamente para o sindicato, uma exigência para que se possa reduzir o impacto social. Com isso, o Sindicato Regional dos Empregados do Comércio deve ajuizar uma ação para que os funcionários sejam indenizados.

“Nós entramos em contato com a empresa e apresentamos uma proposta de acordo, que era a extensão de alguns benefícios adicionais no prazo de um ano após essas

demissões. Nós não conseguimos êxito, e, juntamente com os trabalhadores, ficou decidido que agora nós iremos acionar a Justiça do Trabalho e ingressar com uma ação coletiva pleiteando esses benefícios, que podem amenizar o prejuízo dessas demissões que ocorreram aqui na cidade de Alfenas”, afirma Joel Vieira, advogado do Sindcomerciários.

A empresa de cursos à distância Cresça Brasil, do grupo UOL, foi procurada pela equipe da EPTV Sul de Minas, mas não retornou o contato.

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