Chuva em maio e junho prejudica safra de cafés especiais no Sul de MG

A chuva nos meses de maio e junho prejudicou a qualidade dos cafés especiais no Sul de Minas. A estimativa da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) é que a queda de qualidade possa chegar a 40%. Além disso, este ano a safra deve ser 10% menor, o que deve elevar os preços do café especial.

A propriedade do cafeicultor Antônio José Junqueira Villela fica aos pés da Serra do Bugio, no limite entre os municípios de Olímpio Noronha e Carmo de Minas. Os 60 hectares de café ficam a cerca de mil metros de atitude, o que ajuda na produção, voltada 100% para cafés especiais.

Com o excesso de chuva nos meses de maio e junho, quando ele estava começando a colher, o produtor lista os prejuízos. “Caiu muito café, em torno de uns 30% foi para o chão, o que já perde a qualidade, e o que sobrou no pé, que estava no estágio cereja, embolorou.”

Outros produtores da região enfrentaram o mesmo problema. Na propriedade do Vinícius José Carneiro Pereira, a lavoura tem 200 hectares e geralmente metade da produção é de cafés especiais. Com as chuvas, o resultado este ano foi outro. “Nos anos passados, ele fica bem mais cheio, porque a gente colhe um café cereja, descasca mais e faz uma quantidade maior de café especial. Com a chuva, diminuiu bastante”, explica.

Segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a demanda mundial por cafés deste tipo cresce, todo ano, em torno de 10%, mas em 2016, com o excesso de chuvas no começo da colheita, a quantidade e a qualidade dos grãos deve cair na região. A queda estimada é de pelo menos cerca de 10%, segundo a associação, e na qualidade, a perda pode ser de 20% a 40%.

“Nós chegamos a esse número pela quantidade de café que caiu no chão, que foi um número muito elevado, variando de ponto a ponto em região, e as regiões mais afetadas durante esse período de chuva, que tiveram maior volume de chuva, foram Paraná, Mogiana e o Sul de Minas”, explica o presidente da BSCA, Adolfo Henrique Vieira Ferreira.

Segundo a última estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento, este ano o Brasil deve produzir mais de 40 milhões de toneladas de café arábica. Normalmente, 20% desse total correspondem a cafés especiais, mas sem muita oferta, a tendência deve ser de alta no preço.

“Eu acredito que, com a elevação dos preços que nós estamos esperando, a gente consiga balancear essa diferença entre oferta e demanda pra que no próximo ano a gente consiga estabilizar essa produção de cafés”, completa Ferreira.

Fonte:G1

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